Boas Festas





O Natal é um período propício para se pensar nos esquecidos e excluídos. Não consigo deixar de meditar nas minorias cristãs do Médio-Oriente. Votadas a um autêntico etnocídio generalizado, nalguns casos vítimas de um verdadeiro genocídio. Sem capacidade de reivindicarem um espaço de autonomia identitária, impossibilitados de um tratamento igualitário, desprotegidos de segurança dispensada de forma arbitrária, logo desprovida de Justiça, são alvo fácil de todo o tipo de incompreensões e frustrações. Podem contar pouco com uma boa parte dos crentes da Igreja Católica Apostólica Romana de Rito Latino obcecados com reformas, aberturas, mudanças, por vezes atraídos pela incorporação do que é estranho ao cristianismo e cristandade revelando vergonha por terem projectos de vida e  de existência não coincidentes com o que doutrinalmente deveriam ter por convicção e missão vontade de preservar. O silêncio chega a ser de chumbo nos meios de comunicação social, quando é quebrado é para se apresentarem incongruências onde o terrorismo fundamentalista islâmico é descrito como libertador. Por tudo isto vou pensar neles não esquecendo, como acontece na Síria, no exemplo das suas Hierarquias Eclesiásticas. No espírito de serviço que têm dado prova, no não abandono de um terreno adverso. Os Bispos desaparecidos em Abril último na Cidade de Alepo, quando procuravam o paredeiro de alguns dos sacerdotes das suas circunscrições eclesiásticas, são testemunhos que me parece não deverem ser ignorados no mundo dos crentes e no contexto dos Direitos Humanos mais elementares.



Mgr Boulos Yazigi (à gauche) et Mgr Yohanna Ibrahim.

Boulos Yazigi (Bispo Grego-ortodoxo)  e Yohanna Ibrahim (Bispo Sírio-ortodoxo)

(3) Definhamento da III República

Genesis - Álbum Duke - junção das músicas "Duke's Travels" / "Duke's End" (1980)


No meio da nebulosidade e tempo chuvoso pouco habitual para  as noites finais de uma Primavera que não se desejou manifestar em todo o seu esplendor, fugindo ao sufoco das notícias que só confirmam a agonia que vive a III República, assomei-me à janela abrindo-a e contemplando o luar que com sorte climatérico era visível. Lembrei-me da capa do Álbum Duke dos Genesis. Na impossibilidade de o escutar num vinil que guardo religiosamente há 33 anos fui para o youtube. Abençoada crise que me conduziu a temas memoráveis. A junção de "Johnny C´s Music Emporium"  é particularmente feliz e por isso é aqui reproduzida.

Com esta música ganha-se coragem para com rigor se verificar que o desempenho económico regressivo, acompanhado de desemprego galopante   que de forma gravíssima ocorre com a população activa em decrescimento, somado com um universo de pensões quantitativa e qualitativamente insustentáveis, se está a criar o ambiente para um total desastre da III República. O palavreado economicista liberal e marxista vai ter de se esforçar, apoiado no baú das suas utopias, para enfrentar a crueldade da situação. Vamos aos factos sem contemplações.

O mercado do trabalho cresceu até 2008, sendo visível que nesse ano Portugal alcançou o número mais elevado de população activa (Quadro 1) com um desemprego nos 7,6% (Quadro 2). A situação actual pode ser considerada dramática porque o desemprego sobe num contexto em que o total da população activa diminui (Quadros 1 e 2). Em  cinco anos (2008/2012) ocorreu uma perda de 130.100 activos com um aumento de 433.000  desempregados. Na realidade o potencial produtivo humano teve uma contracção com repercussões  em 563.100 pessoas. 

Quadro 1
População Activa


Ano
População activa
2005
5.559.900
2008
5.624.900
2010
5.587.300
2011
5.543.200
2012
5.494.800

Fonte: INE.
Nota: O máximo de População Activa, contabilizada em 2008, foi de 5.624,900

Neste quadro económico existiam desempregados que deixaram de ser classificados como tal, não porque arranjaram emprego em Portugal mas porque o procuraram no estrangeiro. As estatísticas oficiais do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP) comprovam-no com o aumento da emigração de portugueses e o retorno de imigrantes estrangeiros. Em 2011 foram anulados 22.700 registos devido ao fenómeno emigratório. Até Setembro de 2012 ocorreram 24.689 anulações. Estes registos sugerem que a opção pelo estrangeiro está cada vez mais em cima da mesa dos trabalhadores que se encontram numa situação de desemprego.


Quadro 2
Aumento do número de desempregados


Anos
Nº de Desempregados
Taxa de Desemprego (%)
2008
427.100
7,6
2009
528.600
9,5
2010
602.600
10,8
2011
706.100
12,7
2012
860.100
15,7
                                 Fonte: INE.

Esta situação de diminuição da população activa acrescida do aumento de desemprego vai tornar incomportável a manutenção do Regime de Pensões tal como foi concebido até hoje (Quadro 3). Em 2010 existiam 440.194 aposentados pela Caixa Geral de Aposentações dos quais 49.562 com pensões entre os 2.500 euros e os 4.000 e 4.839 com pensões acima dos 4.000 euros. Em 2012 esses valores cresceram respectivamente para 462.446 aposentados, 53.500 pensionistas e 5.556 beneficiados.


Quadro 3

  Número de aposentados por regime e valor de pensão


Caixa Geral de Aposentações

Anos
Total
2.500 a 4.000 €
4.000 €
2010
440.194
49.562
4.839
2012
462.446
53 500
5.556
Regime Geral da Segurança Social

Anos
Total
2.500 a 4.000 €
4.000 €
2010
1.603.882
10.546
841
2012
1.698.989
11.941
947




Total 2010
2.044.076
--------------------
--------------
Total 2012
2.161.435
--------------------
--------------

                             Fonte: INE.

Situação completamente diferente ocorre no Regime Geral da Segurança Social. Nesse ano em 1.603.882 pensionistas por velhice, no escalão de pensões entre 2.500 euros e 5.000 euros encontravam-se 10.546 beneficiários. Com pensões acima de 5.000 euros existiam 841 cidadãos. Em 2012 existiam quase 1,7 milhões de aposentados dos quais quase 12.000 recebiam pensões entre os 2.500 e os 5.000 euros. Quase 950 pessoas tinham pensões acima dos 5.000 euros (Quadro 3).

Os ingredientes estão lançados para os 40 anos da III República (1974/2014) venham a ser comemorados em ambiente de luta de classes intergeracionais.


Inconformado



1. Alanis Morissette -Empathy ( tradução- renanspeen)

No mundo mediático da música cometeu-se uma das maiores injustiças em relação ao ano de 2012. Quando no primeiro trimestre de 2013 começaram a desfilar os “agraciados” pelas instituições com peso e voto na matéria (penso aqui sobretudo nos grammys) nem queria acreditar que se ignorava Alanis Morissette no seu Álbum Havoc and Bright Lights que tem como único defeito ser difícil encontrar uma música que não se aprecie. Deve ser o “castigo” para uma mulher que ao invés de fazer plásticas tem - vou utilizar as suas palavras – a preocupação de dizer que o seu Álbum “É a minha visão emocional, psicológica, social e filosófica através da música” e que "Havoc se refere à música e aos desafios e consequências de assumir responsabilidades e de se recuperar de diferentes vícios". Ou ainda: “Esse álbum, como sempre, é um retrato das coisas que actualmente me preocupam e me fazem reflectir às 4 da manhã nos meus momentos mais introspectivos”.


2. Alanis Morissette -Permission

Oitavo álbum de Alanis Morissette, após 4 anos bem cimentados de ausência, transmite toda uma maturidade sonora e de conteúdo vivencial que se torna numa verdadeira chapada para o sucesso imediato, o tratamento incipiente, a ligeireza sem conteúdo com que os relacionamentos humanos mais íntimos são tratados pelos que proliferam no campo musical. Contra tal absurdo, num Álbum com 12 faixas, apresento as 5 músicas que penso que não se podem perder.



3. Alanis Morissette -Guardian (tradução- Fábio-Rj)



                                                4. Alanis Morissette - Receive (Live)



 5. Alanis Morissette - Edge Of Evolution (Live) 

(2) Definhamento da III República




Pink Floyd - Sorrow, música do Álbum A Momentary Lapse of Reason de 1987 (Tournée  de 1993)


Os portugueses desesperados cantam a "Grândola Vila Morena". Eu, na letra e música Sorrow dos Pink Floyd  encontro bem mais potencial para o que se passa. Perdoem-me, os que se iludem pensando que este País funciona de forma Soberana, pelo meu cosmopolitismo.
Está na altura de fundamentar num novo post consagrado ao Definhamento da III República. Nunca é de mais recordar que quando esta nasceu, em 1974, a Dívida Pública Acumulada era de 14,0%. O recente ano de 2012 fechou com o expressivo valor de 122,5%.  Qualquer ser humano sensato sabe que é impossível superá-la. Quase todos os "profissionais" da política tiveram responsabilidades nesta gestão da causa pública, contribuindo para ela (Quadro I).


Quadro I
Dívida Pública Acumulada e dívida resultante do exercício orçamental anual



Governos em Exercício
Dívida
Pública Acumulada
Dívida resultante do exercício orçamental anual deficitário
1974 (Junta de Salvação Nacional/Adelino da Palma Carlos)
14,0
---
1975 (Vasco Gonçalves)
16,0
3,8
1976 (Mário Soares)
22,2
5
1977 Intervenção  do  FMI
28,7
4,9
1978 (Mota Pinto)
32,0
6,5
1979 (Maria de Lurdes Pintassilgo)
33,6
5,1
1980 (Sá Carneiro)
31,8
7,2
1981(Pinto Balsemão)
39,9
8,7
1982
42,8
7,2
1983 (Mário Soares) Intervenção do FMI
47,7
5,1
1984
53,1
5,5
1985
56,1
8,6
1986 (Cavaco Silva)
54,5
7,5
1987
61,3
5,9
1988
60,6
3,6
1989
59,3
2,9
1990
58,3
6,3
1991
62,8
7,6
1992
57,0
4,7
1993
55,8
8.1
1994
59,0
7,7
1995(António Guterres)
60,9
5,4
1996
59,9
3,2
1997
56,1
2,5
1998
52,1
2,3
1999
51,4
2,8
2000
50,4
3,3
2001
53,1
4,7
2002 (Durão Barroso)
55,7
3,4
2003
55,7
3,7
2004 (Santana Lopes)
59,5
4,0
2005 (José Sócrates)
64,7
6,5
2006
63,9
4,6
2007
62,7
2,7
2008
65,4
2,7
2009
76,3
9,4
2010
93,3
8,6
2011 (José Sócrates/Passos Coelho) Intervenção da Troika
107,8
4,2
2012
123,6
6,4
Fonte: INE/BP

Relativamente a produtividade e  empreendedorismo, chavões que são repetidos até à exaustão,  não é de mais repetir que centrando-nos, apenas, nos últimos 10 anos (2002/2012) que a participação portuguesa na economia mundial baixou de uma  32ª posição para a 50ª. Em termos percentuais passou de 0,4% para 0,3%. O arredondamento serve para a diminuição não estar nos 0,2% realidade que, brilhantemente, iremos alcançar muito provavelmente em 2013 (Quadro II).



Quadro II
Peso de Portugal no contexto da Produção Mundial

Produção Mundial
2002
49 000 (100,0%)
Produção Mundial
2012
87000 (100,0%)
1) EUA
10 450(21,3%)
1) EUA
15 660(18,0%)
2) China
3 969 (8,1%)
2) China
12 380(14,2%)
3) Japão
3 650 (7,5%)
3) Japão
4 735 (5,4%)
4) Alemanha
2 160 (4,4%)
4) Índia
4 617 (5,3%)
5) Índia
1 584 (3,6%)
5) Alemanha
3 194 (3,7%)
6) França
1 558 (3,2%)
6) Rússia
2 509 (2,9%)
7) RU
1 528 (3,1%)
7) Brasil
2 362 (2,7%)
8) Itália
1 455 (3,0%)
8) R.U.
2 323 (2,7%)
9) F. Russa
1 409 (2,9%)
9) França
2 253 (2,6%)
10) Brasil
1 186 (2,4%)
10) Itália
1 834 (2,1%)
11) C.do Sul
941 (1,9%)
11) México
1 758 (2,0%)
12) Canadá
934 (1,9%)
12) C. do Sul
1622 (1,9%)
13) México
924 (1,8%)
13) Canada
1446 (1,7%)
14) Espanha
850 (1,7%)
14) Espanha
1407 (1,6%)
15) Indonésia
714 (1,5%)
15) Indonésia
1212 (1,4%)
16) Holanda
420 (0,9%)
16) Turquia
1125 (1,3%)
17) Austrália
400 (0,8%)
17) Irão
997 (1,2%)
18) Taiwan
382 (0,8%)
18) Austrália
960 (1,1%)
19) Suíça
368 (0,8%)
19) Taiwan
901 (1,0%)
20) Suécia
354 (0,7%)
20) Polónia
802 (0,9%)
21) Bélgica
336 (0,7%)
21) Argentina
746 (0,9%)
22) Turquia
329 (0, 7%)
22) A. Saudita
740 (0,8%)
23) Irão
283 (0,6%)
23) Holanda
709 (0,8%)
24) Noruega
271 (0,6%)
24) Tailândia
646 (0,7%)
25) Dinamarca
236 (0,5%)
25) África do Sul
578 (0,7%)
26) Áustria
225 (0,5%)
26) Egipto
537 (0,6%)
27) A. Saudita
216 (0,4%)
27) Paquistão
514 (0,6%)
28) Polónia
212 (0,4%)
28) Colômbia
500 (0,6%)
29) Finlândia
191 (0,4%)
29) Malásia
492 (0,6%)
30) África do Sul
188 (0,4%)
30) Nigéria
492 (0,6%)
31) Grécia
186 (0,4%)
31) Bélgica
450 (0,5%)
32) Portugal
179 (0,4%)
32) Filipinas
416 (0,5%)


33) Venezuela
402 (0,5%)


34) Suécia
395 (0,5%)


35) Suíça
362 (0,4%)


36) Áustria
357 (0,4%)


37) Ucrânia
344 (0,4%)


38) Singapura
326 (0,4%)


39) Peru
325 (0,4%)


40) Vietname
320 (0,4%)


41) Chile
319 (0,4%)


42) Bangladesh
305 (0,4%)


43) R. Checa
286 (0,3%)


44) Grécia
280 (0,3%)


45) Noruega
278 (0,3%)


46) Argélia
274 (0,3%)


47) Roménia
274 (0,3%)


48) E.A.U
271 (0,3%)


49) Israel
247 (0,3%)


50) Portugal
245 (0,3%
Fonte: Banco Mundial / World Factbook; Unidade: mil milhões $